Circle Divine | ZiRP
Página inicial Resenhas Resenha: ZiRP – Circle Divine (Álbum, 2020)

Resenha: ZiRP – Circle Divine (Álbum, 2020)

por. Thiago Marques
0 comentário 5 minutos de leitura

Oito anos após o lançamento de seu álbum de estreia, o ZiRP, banda de folk fusion de Dresden, Alemanha, retorna com Circle Divine, misturando rock, pop, jazz e dance music com o som folk do hurdy-gurdy (viela de roda).

Com o nome advindo da palavra alemã para o chilrear dos grilos e insetos relacionados, o ZiRP foi fundado por um dos músicos de hurdy-gurdy mais renomados da cena, Stephan Groth (Faun, Folk Noir) e pelo guitarrista Olaf Peters. Aos dois, logo se juntou o baterista Florian M. Fügemann (ex-Stilbruch). Juntos, o trio gravou seu álbum de estreia em 2012, Drehvolution (que leva o nome da palavra alemã para o hurdy-gurdy, “Drehleier”).

Hoje, a formação original ainda permanece, mas com a entrada do baixista Florian Kolditz, que ainda contribuiu com duas músicas para o álbum de estreia como músico convidado, vindo a se juntar à banda naquele mesmo ano.

As habilidades exibidas por Stephan no ZiRP foram, na verdade, o motivo que chamou a atenção de Oliver S. Tyr, do Faun, tendo como consequência seu convite para juntar-se à banda logo em seguida.

PUBLICIDADE

À semelhança do Drehvolution, Circle Divine é um álbum instrumental, focando, mas longe de restringir-se, no poder do hurdy-gurdy como instrumento principal, recorrendo a vários efeitos para explorar os seus limites. Ele começa com a inspiradora 5-4-O, mostrando prontamente aos ouvintes o poder do hurdy-gurdy na linha de frente. Porém, a destreza de Stephan com o instrumento não ofusca a contribuição dada pela bateria, pelo baixo e pela guitarra. Eles marcam o ritmo, abrem caminho para toda a experimentação com o hurdy-gurdy, ao mesmo tempo que trazem elementos dos múltiplos gêneros musicais que influenciaram as composições do ZiRP.

A faixa-título é outra das minhas favoritas. Começa com uma linda introdução no violão, logo acompanhada pelo hurdy-gurdy. A harmonia entre os dois instrumentos cria uma atmosfera onírica, intercambiando-se com partes mais pop e rock. Esta é uma das faixas onde podemos captar de forma mais clara as contribuições individuais de cada um dos instrumentos, sem abrir mão do protagonismo emblemático do hurdy-gurdy. Temos até um efeito Wah para o hurdy-gurdy que certamente agradará até o mais exigente dos fãs de guitarra. Circle Divine também traz Elisabeth Coudoux no violoncelo, enriquecendo uma das mais variadas canções de um álbum bastante diverso (embora coerente).


Veja também: Entrevista com Le Garçon de l’Automne

Em Kaleidoskop, Stephan põe seu hurdy-gurdy de lado para mostrar mais um de seus talentos, tocando o low whistle. A música traz uma sensação idílica que contrasta tanto com sua antecessora mencionada acima, quanto com sua sucessora, Zirpelloise, uma melodia mais pop/rock.

Em seguida, vem Mosaic, começando com o som épico da trompa francesa tocada pelo músico convidado Jan Rix, remetendo o ouvinte a uma espécie de jornada heroica. Em seguida, ela se transforma em melodias que definitivamente fazem você se sentir como se estivesse enfrentando e superando muitas aventuras e desafios ao longo do seu caminho. Isso fica ainda mais evidente quando você chega ao ponto em que a música atinge um tom mais solene, liderada tanto pelo baixo de Kolditz quanto pelo hurdy-gurdy de Stephan, antes de estourar nas melodias mais aventureiras, por assim dizer.

Mosaic é tão rica em contrastes que é, ainda que desprovida da palavra falada, verdadeiramente uma peça de narrativa de história pelo ZiRP. A música também apresenta a violoncelista Elisabeth Coudoux, bem como o “irmão de armas” de Stephan no Faun, Rüdiger Maul, na percussão.

Odd Bourrée é uma das músicas onde podemos sentir melhor as influências do ZiRP originárias do rock, enquanto Moon Mazurka é uma linda balada… mas, que tal uma única faixa que mistura vários gêneros em si mesma? Este é o caso da mais longa de todas, Uhrovec. Começa medieval, torna-se groovy, dançante, onírica, mas ainda possui um toque folk. Uma mistura de estilos muito interessante.

Circle Divine é um testamento do que esses músicos talentosos são capazes de fazer, deixando a virtuose do hurdy-gurdy de Stephan na vanguarda, ao passo em que também permite que as habilidades individuais de Olaf, Fügemann e Kolditz brilhem em cada faixa. ZiRP leva a experimentação ainda mais longe do que pudemos ouvir em seu álbum de estreia, mesclando ainda mais ousadamente o medieval com o moderno.

Review: ZiRP - Circle Divine

ZiRP

Formação

  • Florian Kolditz (baixo, contrabaixo)
  • Olaf Peters (violão, cistre)
  • Florian Manuel Fügemann (bateria, percussão, sampler)
  • Stephan Groth (hurdy-gurdy, low whistles, piano)

Músicos convidados

  • Rüdiger Maul (percussão- # 6, 7, 10)
  • Elisabeth Coudoux (violoncelo- # 3, 6)
  • Jan Rix (trompa francesa – # 6)

Lista de faixas

1. 5-4-O
2. Bourrée Inkarnation
3. Circle Divine
4. Kaleidoskop
5. Zirpelloise
6. Mosaic
7. Seven Flow
8. Odd Bourré
9. Moon Mazurka
10. Uhrovec
11. Low Lights


Links

Website | FacebookInstagram
Spotify | iTunes | YouTube

PUBLICIDADE

Publicações relacionadas

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumiremos que você está OK com isso, caso decida permanecer conosco. Aceitar